Mulheres e Cerveja: uma relação para marcar história

A relação da mulher com a cerveja é muito mais antiga do que podemos imaginar. Na Babilônia e na Suméria, por volta de 4000 a.C., as mulheres cervejeiras eram conhecidas como Sabtiem e eram consideradas pessoas especiais, quase deusas. Em outras culturas, a presença feminina nesse meio também marcou história. Entre os vikings, por exemplo, existia uma lei que somente as mulheres podiam produzir a bebida.

Por muitos anos, a produção da cerveja era de responsabilidade das mulheres, pois era considerada uma atividade caseira, assim como cozinhar. Era comum que o pão e a cerveja fossem preparados simultaneamente, por possuírem praticamente os mesmos ingredientes. Na Europa e América, as mulheres produziam cervejas artesanais para acompanhar os alimentos e também para vender, complementando assim a renda familiar.

Esse domínio da mulher só diminui no final do século XVIII, quando a produção da cerveja em larga escala se tornou um negócio rentável e foi assumido pelos homens. Isso aconteceu por dois motivos: acreditava-se que a habilidade comercial era uma característica masculina e que as mulheres não tinham capacidade para se adaptar às novas tecnologias para a produção da cerveja.

 

A atual relação da Mulher e da Cerveja

Com as mudanças nos hábitos da sociedade, observou-se um crescimento da participação feminina no consumo da cerveja artesanal. Do final do século XX até os dias atuais, a mulher vem ganhando mais espaço, seja como profissional do ramo ou como exigente consumidora.

A carioca Amanda Henriques é um exemplo dessas mudanças comportamentais. Editora do Blog Maria Cevada (www.mariacevada.com.br), ela vem inspirando muitas pessoas a se aventurarem pelo mundo das cervejas artesanais.

A sua paixão pelas cervejas nasceu por volta de 2009, quando começou a provar os primeiros rótulos artesanais. “Foi um caminho divertido e cheio de curiosidade, mas que ao mesmo tempo me deixava cheia de dúvidas e perguntas”, afirma Amanda. Nessa época, eram poucos os sites que traziam informações sobre as cervejas artesanais.

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Amanda Henriques, do Blog Maria Cevada.

Essa exploração de diferentes rótulos continuou e, em paralelo, ela começou a estudar o assunto por conta própria. “Quanto mais aprendia, mais me interessava por esse universo”, revela. Em 2013, ela lançou o blog Maria Cevada sobre cerveja artesanal, compartilhando todas as suas experiências e aprendizados. Atualmente, Amanda é sommelière, formada pelo Instituto da Cerveja.

A relação da Amanda com a cerveja é muito semelhante a de algumas pessoas com o vinho. Durante a semana, ela bebe um copo de cerveja durante ou após o jantar, degustando cada nuance da bebida e fazendo anotações. Nos fins de semana, ela participa de eventos cervejeiros e festivais, acabando por beber uma variedade maior de cervejas.

“Eu acredito que o cenário atual esteja mudando aos poucos, conforme as mulheres vão dominando o mercado cervejeiro. Temos que ir pro meio da bagunça e mostrar a nossa representatividade e qualidade profissional. Para nós, o caminho do respeito e reconhecimento é sempre mais sofrido, mas o mercado das cervejas artesanais é bem menos agressivo que o das convencionais”, afirma ela.

 

As preferências da cervejeira

Amanda prefere cervejas extremas e envelhecidas, como Sours e Saisons. Quando o assunto é harmonização, ela gosta de apreciar a bebida com comida japonesa e queijos.

“Mas ainda me surpreendo com a versatilidade na combinação de cervejas com sobremesas. Já provou uma Fruit Beer de cereja com chocolate branco e viu sua boca virar um pedaço de cheesecake? É fantástico!”, conta Amanda.

Para ela, uma boa harmonização apaixona! Muitas de suas amigas e amigos começaram a gostar da cerveja artesanal dessa maneira. A dica dela é: invista na experiência como um todo, desde a apresentação da garrafa e escolha do copo à harmonização. Isso faz diferença!

E para você: qual é o seu estilo preferido de cerveja artesanal?

Hey! Se beber, vá de carona 😉 E lembre-se: consuma com moderação; bebidas alcoólicas são proibidas para menores de 18 anos.

  • Talita Vidal

    Muito bom o texto! Inspirador…